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Wassily Kandisnky
(1866 – 1944) passou à historia como o criador da pintura abstrata e
teórico de arte mais influente do século XX. O pintor, de origem russa,
iniciou sua carreira artística aos 30 anos. Compensou o começo tardio
com um entusiasmo inigualável. Sua pintura é capaz de “vibrar a alma”
apenas com a força das cores, sem a necessidade de conter objetos
reconhecíveis. Em meio a instabilidade política da época precisou
conviver com a intolerância do regime socialista e da Alemanha Nazista
para defender sua pintura. Pesquisador incansável, dotou sua obra de uma
originalidade nuca isenta de idealismo.
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Amarelo, vermelho, azul, 1925
Óleo sobre tela
128 x 201,5 cm
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Pioneiro da arte abstrata, Kandinsky é um nome imprescindível da arte
moderna. Nascido em Moscou em uma família bem estabelecida, estuda
música e desenho em sua juventude… Cursa direito e economia, mas
abandona a carreira jurídica para dedicar-se à pintura. Aos 30 anos,
decide tornar-se artista após admirar uma obra de Monet e de se
sensibilizar pela sinfonia de cores da ópera Lohengrin, de
Richard Wagner.
Apóstolo da cor, conheceu artistas como Franz Marc, Lyonel Feininger,
Paul Klee e Alexei Von Jawlensky que compartilhavam visão artística
semelhante
Kandinsky
concebeu a pintura abstrata inspirada por idéias metafísicas sobre o
triunfo do espírito sobe a matéria.
Retratou motivos apocalípticos com a Primeira Guerra Mundial, coma
Revolução Russa explorou sua pintura sem figuras, produto das idéias e
da cor. Após, em outra fase Kandinsky elaborou uma pintura geométrica
carregada de misticismo, numa nova fase, sob influência do surrealismo
de Hans Arp e Joan Miro substitui as figuras geométricas por formas de
aspecto biomórfico. Resumiu sua concepção platônica da arte: “Em minha
opinião, a arte nada mais é do que o desenvolvimento de idéias
determinadas, do mesmo modo que na natureza os seres são o
desenvolvimento definitivo de determinados germes.”
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Composição VII, 1913
Óleo sobre tela
200 x 300 cm |
“Pintar é um estrondoso choque de mundos opostos predestinados a criar
juntos, na luta e a partir dela, um novo mundo que se chama obra.”
Para Kandinsky as convenções do passado estavam esgotadas; a cor e a
forma são mais genuínas para expressar a subjetividade do artista do que
o objeto ou a perspectiva; o artista não deve se submeter ao exterior,
já que sua espiritualidade reside o visionário de sua obra.
Kandinsky defendia o predomínio da subjetividade na obra artística
contra qualquer convencionalismo. Longe de ser uma obra formal ou sem
conteúdo, suas obras atacavam os códigos preestabelecidos para o olhar
da arte.
Em
sua busca espiritual alcançou a abstração de sua pintura, que tinha como
base a possibilidade expressiva das formas e das cores. A síntese com a
música, a correspondência entre sons e cores, foi fundamental no
processo. “É evidente, portanto, que a harmonia das cores deve se basear
unicamente no principio do contato eficaz. A alma humana tocada em seu
ponto mais sensível responde. Chamaremos essa base de Principio da
Necessidade Interior”.
Escreveu Do espiritual na arte, a primeira de suas grandes obras
teóricas sobre pintura. Nela desenvolvia uma investigação filosófica
sobre as cores e as formas, às quais conferia valores psicológicos e
morais e comparava com a música, que, apesar de sua imaterialidade, era
capaz de fazer “vibrar a alma”.
Publica também, Ponto e linha sobre plano, acerca do exercício da
pintura abstrata, elaborando junto com Paul Klee uma teoria semelhante à
utilizada pelos músicos para compor. Kandinsky percebeu que por trás de
sua pintura estava o que verdadeiramente lhe interessava, já que a forma
sempre teve importância secundaria.. Em suas obras, umas das
preocupações era a busca de um equilíbrio instável entre elementos
opostos.
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Composição VI, 1913
Óleo sobre tela
195 x 300 cm |
“Os que duvidam do futuro da arte abstrata fundamentam seu juízo sobre
um estágio evolutivo comparável ao dos anfíbios [...]; estes não
representam o resultado final da criação, apenas seu começo.” Kandinsky
Em busca do
traço puro
O abstracionismo, inaugurado por Kandinsky por volta de 1910,
tem como pressuposto básico a realização de uma arte
independente do mundo externo e da realidade visível, ou seja,
uma obra composta apenas por elementos puros, como as formas, as
linhas e as cores. Também chamado de "arte abstrata", este
movimento se desenvolveu em várias vertentes, até passar a ser o
traço predominante de toda a produção artística realizada ao
longo do século 20.
Os abstracionistas radicalizaram uma tendência típica das
principais vanguardas artísticas do final do século 19 e início
do século 20. Desde a invenção da fotografia, o impressionismo
havia buscado novas formas de representar o mundo,
distanciando-se da mera reprodução "fiel" e "imutável" dos
objetos. Os impressionistas procuravam captar as impressões
visuais provocadas por estes mesmos objetos em determinado
momento, impressões fugidias, que poderiam variar de acordo com
a luz, por exemplo. Com a eliminação dos contornos, o
impressionismo produziu pinturas em que a luminosidade – e não
as pessoas ou as coisas – era o principal tema do quadro.
Os pós-impressionistas e expressionistas, por sua vez,
libertaram a cor e a linha de suas funções meramente
representativas, exagerando propositalmente as formas, para
expressar a prevalência da emoção do artista sobre o mundo real.
Os cubistas, a seu modo, também romperam com a idéia da arte
como imitação da natureza, ao abandonar as noções tradicionais
de perspectiva e volume, retratando os objetos de vários pontos
de vista simultâneos, decompostos em figuras geométricas.
Mas, a todos esses e outros movimentos que procuravam um
distanciamento e uma releitura do chamado "mundo objetivo", o
abstracionismo contrapôs uma recusa radical a qualquer espécie
de representação. Em outras palavras, não se tratava mais de ver
os objetos do mundo com novos olhos, mas de criar um universo à
parte, uma realidade autônoma, criada pelo próprio artista. Era
isso o que Kandinsky queria dizer com uma de suas frases mais
célebres: "Criar uma obra de arte é criar um mundo".
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